A porta-voz da Associação Revolucionária das Mulheres Afegãs (Arfa), Chala Azad, declarou recentemente em Bilbao (Espanha) que a situação das mulheres no Afeganistão é actualmente a mesma que se verificava durante o regime talibã. "A Aliança do Norte e os talibãs têm a mesma mentalidade: os estupros, as detenções e os assassinatos continuam e tudo se manterá assim enquanto estiverem os mesmos dirigentes no poder", disse Azad durante uma conferência de imprensa.
Após a queda dos talibã algumas mulheres abandonaram a 'burka' e alguns homens
tiraram a barba, mas o problema, de acordo com aquela activista, não se resume
a gestos simbólicos. "O que importa é a violação sistemática dos direitos do
homem que sofre o Afeganistão hà 25 anos", assinalou Chala Azad, afirmando que,
entre 1992 e 1996, grupos de "fundamentalistas reacionários e anti-democráticos",
que são "os mesmos da actual Aliança do Norte", propiciaram um retrocesso de
três séculos nos domínios da educação e da cultura no país e "cometeram crimes
e assassinatos em nome da religião e de uma etnia".
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